quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PRIMAVERA

    NALDOVELHO

    O bruxulear de uma saudade,
    olhos embaçados, tantas verdades,
    um terço enrolado na mão direita,
    uma sombra, o silêncio, uma suspeita,
    madrugada que se arrasta pela cidade,
    é o sol que surge sem fazer alarde,
    é o dia que boceja em minha janela,
    vinte e um de setembro, fim da espera.

    Primavera que se assanha em meu jardim,
    lírios, crisântemos, jasmins,
    um anjo ao meu lado na espreita,
    uma sombra, o silêncio, uma suspeita,
    solidão companheira de tanto tempo
    diz que é hora de partir num pé de vento
    e o terço nas mãos suaviza meu coração,
    acendo uma vela e me ponho em oração.


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